A pintura não acontece no distanciamento confortável da contemplação; ela exige aurgência do gesto, o peso da matéria e o rastro do pensamento na tela.
Meu processo criativo ataca a superfície através da organicidade dos instrumentos — das mãos que tocam a tinta ao corte cirúrgico da espátula e do pincel —, moldando a existência em relevo cromático.
Através de uma investigação visceral sobre a cabeça — esse receptáculo absoluto de
contradições, sarcasmos e ironias que define o homem contemporâneo —, busco
expor o que guardamos no avesso do rosto. Não há simulação estética ou concessão comercial.
Há a filosofia tornada pintura, o uso da ironia fina para desnudar a hipocrisia social
e a busca implacável pela verdade bruta da existência humana.